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Música Contemporânea(a partir de 1900 até hj)
Serialismo
integral – Decorre diretamente do serialismo de Webern, da música de
Olivier Messiaen (1908-1992) e do italiano Luigi Dallapicolla (1904-1975).
Consiste em um sistema em que são acrescentadas à série de alturas uma série
de durações, uma série de intensidades e uma série de timbres. A idéia do
serialismo serve também para a organização de séries de 23 notas (incluídos
os microtons), ou séries de sons sem alturas definidas, como é feito na música
eletrônica e na música para percussão. O desenvolvimento do serialismo
integral se deve aos compositores Karel Goeyvaerts (1823-1993), Pierre Boulez
(1925), Karlheinz Stockhausen (1928) e Henry Pousseur (1929), dentre outros que,
na década de 50, fundam os festivais de verão de Darmstadt, Alemanha.
Pierre Boulez (1925-) nasce em Montbrisson, França. Estuda composição em
Paris, com Olivier Messiaen e René Leibowitz, entre 1946 e 1956. Lidera o
movimento da música de vanguarda francesa. Funda, em 1975, o Instituto de
Pesquisas Científicas e Musicais (IRCAM), responsável pelo desenvolvimento de
tecnologias musicais, que aglutina hoje os principais pesquisadores em música
eletrônica. Entre suas peças destaca-se o Marteaux sans maitre (O martelo sem
mestre).
Música concreta e música eletrônica – Surgem no início da década
de 50, entre compositores franceses e alemães que atuam junto a emissoras de rádio.
O grupo francês é liderado por Pierre Schaeffer (1920-1984), ligado ao rádio
e televisão francesa (ORTF), e se dedica à música concreta. Realiza composições
a partir de fitas de sons cotidianos pré-gravadas, recortadas e remontadas
diversas vezes até atingir o efeito desejado. A música eletrônica surge junto
ao estúdio da rádio de Colônia, na Alemanha, criada por um grupo liderado por
Herbert Eimert, onde atuam Stokhausen, Luciano Berio (1926), Gyorgy Ligeti
(1923) e compositores do grupo de Darmstadt. O objetivo é realizar a síntese
do som a partir dos recursos eletrônicos de uma emissora de rádio, dentro dos
procedimentos do serialismo.
Karlheinz Stockhausen (1928-) nasce em Colônia, na Alemanha, e inicia sua formação
musical em 1947. Realiza, em 1951, seu Primeiro estudo eletrônico, no estúdio
da rádio de Colônia. Entre 1952 e 1953, estuda no Conservatório de Paris, com
Olivier Messiaen e Pierre Schaeffer. Atravessa diversas fases: serialismo
integral, música eletrônica, música aleatória e, por fim, a música de
natureza mística, que vem pautando sua produção desde a década de 70.
Destacam-se obras recentes: Os sete dias de semana, Stimmung e Mantra, baseadas
na filosofia hindu.
Música
aleatória – Surge nos Estados Unidos e na Europa como a música feita
pelo acaso. Tem antecedentes em uma peça de Mozart (século XVIII), que abre
espaço para que o intérprete escolha ao acaso a seqüência das notas e ritmo
e, mais recentemente, no jazz americano, também fruto da improvisação. O
aleatório é levado ao extremo pelo americano John Cage (1912-1993) e pelos
compositores da escola de Darmstadt, como Stockhausen, Luciano Berio e Boulez.
Cage propõe que se combinem aleatoriamente gravações recolhidas na rua ou no
rádio, em sua peça Fontana mix. Em Imaginary landscape, dispõe cada um dos
elementos da composição (o tempo, as durações, os sons, as intensidades) em
cartelas que deverão ser recombinadas pelo intérprete de acordo com o conjunto
de linhas lido em hexagramas sorteados no I Ching, o livro da mutações.
Stockhausen, em Klavierstuk IX (Peça para piano IX) e Stimmung para oito
cantores dispõe em suas partituras passagens que o intérprete reordena segundo
sua vontade. Em Musik fur eine haus (Música para uma casa) o público passeia
por diversas salas de uma casa onde, em cada sala, se desenvolve uma música.
Teatro musical – É herdeiro da ópera e da música de cabaré do entreguerras e se expressa na música de Kurt Weill. Entre os compositores de teatro musical, destacam-se o argentino radicado na Alemanha Maurício Kagel (1931) e Hans Werner Henze (1926). Suas obras refletem engajamento político, tecendo críticas aos valores burgueses. Outros compositores, como John Cage, seu aluno La Monte Young (1935) e integrantes do grupo de Darmstadt realizam alguns trabalhos com características do teatro musical.
Ecletismo – Conquistas
da música do século XX, como o serialismo, a música eletrônica, a aleatória,
o teatro musical e o concretismo, se desgastam, levando compositores europeus a
incorporar elementos de culturas não-ocidentais como a hindu, a chinesa ou a
africana. Entre eles Stokhausen, Ligeti, e o italiano Luciano Berio, que
incorpora à sua técnica composicional elementos da música polifônica dos
povos da África Central, como em sua composição Coro. Entre os compositores
que se voltam à música tonal e modal estão os minimalistas americanos Phillip
Glass (1937), Terry Riley (1935), Steve Reich (1936). Suas músicas não se
destinam exclusivamente às salas de concerto, mas estão presentes no cinema,
como as trilhas de Koyanisqaatsi e Mishima, de Phillip Glass .
Luciano Berio(1925-)
inicia sua carreira ao lado de K. Stokhausen, Boulez e Bruno Maderna. Em 1953
funda, em Milão, o Estúdio de Fonologia. Muda-se para os Estados Unidos, em
1967, de onde é extraditado sob acusação de atividade antiamericana. Em
Paris, dirige o centro de eletroacústica do Instituto de Pesquisas Científicas
e Musicais (IRCAM), de 1974 a 1980. Suas obras mais conhecidas são: a Sinfonia,
uma grande colagem de diversos materiais sonoros, em homenagem ao líder negro
Martin Luther King, e as Folk songs, canções populares com arranjos
vanguardistas da música de concerto.
NOVA GERAÇÃO
Atualmente uma
série de novos movimentos convivem com práticas remanescentes da música do pós-guerra.
Destacam-se:
Nova simplicidade – Defendida pelo alemão Wolfgang Rihm (1952), visa uma estética
da liberdade da arte, propondo uma música com ausência de dificuldades,
livrando-se da carga histórica.
Nova complexidade – Resgata a importância estrutural do serialismo integral,
em uma música que expressa a complexidade e multiplicidade do homem atual. O
principal compositor dessa corrente é o inglês Brian Ferneyhough (1943).
Música
espectral – Tem seu centro na França, liderada por Tristan Murail (1947),
Michael Levinas (1949) e Gerard Grisey (1946). A música surge a partir do
estudo de espectros sonoros de instrumentos e sons cotidianos com auxílio de
recursos da eletrônica e informática.
Multi-music – É o caminho seguido nos Estados Unidos por Meredith Monk e Joan
La Barbara, que trabalham misturando recursos audiovisuais como vídeo, teatro,
dança etc.
Música e política – Tendo por base o envolvimento do compositor com diversas
causas sociais, compositores de variadas tendências têm se dedicado a uma música
engajada, como o alemão Helmut Lachenman (1935) e o brasileiro Willy Correa de
Oliveira (1938).
Computer-music – Utiliza recursos da informática na síntese sonora, nos cálculos de estruturas musicais e nas transformações de informação numérica em informação sonora, além de simulações diversas.
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